segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Alfa, Beta, Gama e Delta: infectologista explica as principais diferenças entre as variantes

 

Alfa, Beta, Gama, Delta. As variantes do coronavírus, causador da Covid-19, são uma realidade e têm levantado muitas dúvidas. De acordo com o infectologista Keny Colares, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), as mutações já eram esperadas, visto que as alterações são características de qualquer vírus (a exemplo do H1N1).

 

O acompanhamento das variações é feito por cientistas desde o início da pandemia, mas, segundo Colares, elas preocuparam especialistas e sociedade quando as novas características passaram a potencializar a capacidade do coronavírus de transmissão e resistência aos anticorpos. “As variantes capazes de gerar mais problemas foram agrupadas em Variantes de Preocupação”, afirma. Até o momento, quatro são investigadas no mundo: Alfa, Beta, Gama e, mais recente, a Delta, oriunda da Índia.

 

Keny Colares indica que as diferenças entre as variantes identificadas estão ligadas ao potencial de transmissibilidade, replicação e capacidade de driblar a proteção adquirida com a vacinação ou anticorpos de quem já teve Covid-19.

 

Variante Alfa

 

O consultor em Infectologia da Escola de Saúde Pública Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ESP/CE) diferencia as principais variantes identificadas no Ceará. A Alfa, detectada inicialmente na Inglaterra, mostra grande capacidade de transmissão, causando novas infecções. Desta forma, “praticamente dominou o cenário nos países onde circulou, por causa da sua capacidade de replicação”.

 

Em compensação, esta não mostrou habilidade em driblar a proteção. “Essa variação do vírus já não tinha essa propriedade de resistir aos fatores de proteção, principalmente os anticorpos que a gente produz para se proteger, seja com estímulo da vacina ou da própria doença”, explica.

 

Variante Beta

 

Originada na África do Sul, a Beta possui características inversas, e foi a que menos se espalhou pelo mundo. “Não apresenta maior capacidade de se multiplicar e se transmitir, mas é a que mostrou mais capacidade de driblar as nossas proteções, os anticorpos, infectando mesmo a pessoa vacinada”.

 

Variante Gama

 

A variante brasileira Gama apresenta um pouco das duas características. “Ela é mais transmissível, mas nem tanto quanto a Alfa. Tem capacidade de contornar o sistema de defesa, mas não exatamente como a Beta”.

 

Variante Delta

 

A mais recente das variantes, originária da Índia, é mais transmissível que a cepa original. “É duas vezes mais transmissível e tem, não tanto quanto a Beta, a capacidade de contornar os nossos mecanismos de defesa”, detalha o infectologista. Com essas duas características, a mutação merece mais atenção. “A variante mostrou-se um problema por onde passou”, alerta.

 

Sintomas

 

Com as novas características dos vírus, aumenta-se a preocupação com os sintomas. Por isso, Keny Colares orienta para que haja maior atenção para os cuidados sanitários – que devem ser mantidos. “Apesar de existir alguma divergência, a maior parte dos estudiosos, de forma geral, considera que, do ponto de vista dos sintomas, não é possível diferenciar muito uma forma da outra“, diz. “Temos de continuar considerando os mesmos sintomas que a gente vinha considerando”, continua.

 

O infectologista informa, ainda, que alguns estudos mostram que a variante Delta afeta menos o olfato, mas que a maioria dos sintomas é semelhante. A cepa indiana tem grande capacidade de transmissão, mesmo em pessoas já imunizadas, gerando nestas, no entanto, sintomas mais leves. “Pessoas com sintomas gripais bem leves, ou até talvez aquele resfriado, podem estar com Covid-19. A pessoa pode estar parcialmente protegida pela vacina. É interessante investigar”, indica. Nesses casos, o médico recomenda buscar assistência, fazer o exame imediatamente e manter isolamento até o resultado para evitar transmissão para outras pessoas.

 

Cuidados

 

Impedir o avanço da doença é responsabilidade de todos. A Sesa reforça que os cuidados devem ser mantidos: uso da máscara sempre que sair de casa, evitar aglomerações, manter a higienização das mãos com frequência e respeitar o distanciamento interpessoal.

 

Keny Colares destaca a importância de aderir à campanha de vacinação contra a doença. “Qualquer vacina disponível para a população passa por vários testes e fases. As atuais vacinas contra Covid-19 são seguras e já foram testadas em milhares de pessoas. Algumas delas, em centenas de milhares de pessoas”.

*Sesa

 

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