domingo, 6 de fevereiro de 2022

Presidente da Câmara de Aparecida de Goiânia manda cortar o microfone da vereadora Camila Rosa (PSD)

 

Vereadora se diz ‘assustada’ após ter o microfone cortado durante fala na Câmara de vereadores 

A vereadora Camila Rosa (PSD), de Aparecida de Goiânia, disse ter ficado constrangida e “assustada” ao ter seu microfone cortado pelo presidente da Câmara do município, André Fortaleza (MDB), na última quarta-feira (02/02. Durante uma discussão sobre cotas de gênero na Casa, Fortaleza ordenou que o áudio da parlamentar fosse interrompido enquanto ela falava.

 

O embate teve início quando o presidente da Casa mencionou no plenário uma publicação feita por Camila nas redes sociais. A postagem, que não citava o nome do vereador André Fortaleza (MDB), defendia a participação das mulheres na política. Em determinado momento da sessão, o presidente rebateu e alegou não ser contra a presença feminina na Câmara, mas contra cotas. A vereadora, então, disse que ele teria se incomodado com o post porque “a carapuça serviu”. Seguiu-se um bate-boca entre eles, até que Fortaleza ordenou que o microfone da parlamentar fosse cortado.

 

“Fiquei assustada porque conheço o regimento interno da Casa, sei a partir de que momento o presidente pode pedir ordem e cortar o microfone: em caso de xingamentos, palavrões ou muita alteração do tom de voz. Não fiz nada disso”, afirmou Camila ao Estadão.

 

A vereadora formalizou uma denúncia contra Fortaleza na delegacia do município e disse que vai levar o caso à ouvidoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na segunda-feira.


O episódio gerou repercussão entre a classe política. Neste sábado, 5, Camila recebeu apoio do diretório nacional do Podemos, que, por meio de nota assinada pela presidente do Podemos Mulher, Márcia Pinheiro, classificou o ocorrido como “violência” e disse “repudiar veementemente” o corte do direito de fala. Via Twitter, a ex-deputada federal Manuela d’Ávila (PCdoB) e a deputada estadual Marina Helou (Rede-SP) prestaram solidariedade à vereadora. “Revoltante, absurdo! Cortar o microfone da única vereadora de Aparecida de Goiânia diz muita coisa”, publicou Marina.


Os internautas também reagiram contra a atitude do vereador por meio das redes sociais:

 

"Trato todo mundo com respeito" Mas vai lá é  manda desligar o microfone da vereadora (isso porque mal começou a falar),  que foi expor sobre o seu pensamento. Hum entendi!

 

"Eu não sou machista" (...) "Corta o microfone dessa mulher que não concorda comigo agora". Não ficou bem na fita.

 

Camila foi às redes sociais neste sábado agradecer o apoio que tem recebido. Ao Estadão, ela afirmou que tem passado por dias difíceis. “Acham que estou vibrando porque ganhei seguidores e notoriedade. Quem não quer sair no ‘Estadão’? Mas dessa forma é muito doloroso. Fiquei comovida quando cheguei em casa no mesmo dia e vi meu pai chorando. Nossa família sofre junto com a gente”, disse.

 

O vereador André Fortaleza foi procurado para comentar o episódio, mas ainda não se manifestou.


Veja o momento em que o microfone da parlamentar é cortado:




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