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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Granja é município do Ceará com mais cidadãos explorados em trabalho escravo


Foto: Sérgio Carvalho/MPT
Nos últimos 15 anos, 162 pessoas resgatadas em regime de trabalho análogo à escravidão no Brasil eram de Granja, no Ceará, a 329 km da Capital. O município é, dentre todos os cearenses, o que mais tem cidadãos explorados nesse tipo ilegal de trabalho, conforme dados colhidos no Observatório Digital do Trabalho Escravo, do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Foto: Alex Fontenele/Divulgação

Nacionalmente, a cidade está em 17º lugar entre aquelas que concentram maior número de vítimas libertadas. Desde 2003 até julho deste ano, 44.229 pessoas foram resgatadas no Brasil. Do total, 35.969 declaram a cidade onde nasceram, sendo 1.207 cearenses, segundo informaram.

O POVO apurou que uma das causas para a situação que Granja se encontra na chamada "Zona da Carnaúba", que engloba municípios do Ceará e do Piauí. Segundo relatório do 1º Seminário sobre Combate ao Trabalho Escravo no Ceará, realizado em 2016 pela Assembleia, a extração da carnaúba concentrava até 67% dos casos de trabalho escravo no Estado.

O problema com precariedade do trabalho no setor é histórico, aparecendo em antigos registros da Biblioteca Nacional desde os anos 1950. Árvore-símbolo do Ceará, a carnaúba possui uma série de utilidades. As raízes têm uso medicinal, os frutos são rico nutriente para ração animal e o tronco é madeira de qualidade para construções, entre outros usos.
Registro do jornal sindical "A Voz Operária", dos anos 1950, já denunciava precariedade do mercado da Carnaúba (Foto: Biblioteca Nacional)

No território do Ceará, foram registrados 566 resgates nos últimos 15 anos. Os dados apontam como a prática é capilarizada no Estado. Dos 184 municípios, em 148 há registro de vítimas desse tipo de irregularidade, o que equivale a 84,4% das cidades cearenses.
Via O POVO Online




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