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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Mulher agredida por policial militar conta que recebeu ameaças

Com as duas mãos na cabeça e ajoelhada, gritando ao lado do esposo. Desde ontem, circula nas redes sociais cenas de uma mulher, nesta posição, sendo agredida com movimentos similares aos feitos com uso de um "chicote". No vídeo, dois policiais participam da investida. Um bate na vítima enquanto o outro acompanha, com olhar atento, a ação do colega de trabalho.

O crime protagonizado por um policial militar fardado aconteceu na noite do último domingo, durante abordagem na Rua do Canal, no bairro Lagamar, em Fortaleza. Ontem, após a repercussão do caso, a vítima dos golpes concedeu entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares. Segundo a mulher, que não quer ser identificada temendo represálias, ela e o esposo foram surpreendidos por uma viatura, enquanto saíam de um posto de combustíveis.

"Pararam a gente, mandaram ficar de joelhos e começaram a chamar de vagabundo. Puxaram meu cabelo, me chamaram de vagabunda e disseram que eu não prestava para nada. Meu nome é limpo. Todo mundo viu que foi covardia. Eles ficaram agredindo uns 30 minutos e dizendo: isso é para vocês aprenderem a não passar por aqui. Não era para ele ter feito isso. Foi uma abordagem totalmente errada", detalhou a vítima.

Segundo moradores que presenciaram o ocorrido, duas composições patrulhavam no Lagamar naquela noite. O policial flagrado agredindo a mulher teria ordenado parar um pré-Carnaval que acontecia no local e começado a ameaçar populares.

"A gente só queria se divertir. Falaram que iam atirar, que ali só tinha vagabundo. Estava cheio de pai de família, cheio de criança, e mesmo assim eles nem se importaram, quebraram várias coisas. A moça que foi agredida só estava de passagem, nem participava da festa. Eles pediram para parar o carro e um policial ficou procurando alguma coisa no chão. Quando achou um fio começou a tacar nela. Eles viram que tinha gente filmando e mandavam parar. Pensam que só porque estão dentro da favela, só tem vagabundo", falou uma moradora.

Outro entrevistado questionou que se a ordem era acabar com o Pré-Carnaval, qual razão de após terem conseguido o fim da festa, continuarem com as ameaças? "O serviço deles não era para torturar. Estavam fardados e deviam proteger. Foi muito desrespeito e não é a primeira vez que quem mora aqui sofre com isso", afirmou.

Apuração

Por nota, a Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) disse lamentar a agressão e não compactuar com "qualquer ação policial que vá de encontro aos direitos e garantias fundamentais do cidadão e que se pauta, dentre outros, pelo princípio da legalidade e da impessoalidade".

De acordo com o órgão, qualquer ação dos membros que "porventura destoe dessas diretrizes são repudiadas e devidamente apuradas por esta Corporação, ocasião em que é dado aos acusados a oportunidade do contraditório e ampla defesa".

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) se pronunciou afirmando já ter determinado a instauração de investigação preliminar para apurar o fato na seara administrativa. Conforme a CGD, a apuração na esfera disciplinar tem finalidade de, por meio da averiguação das circunstâncias, indícios de autoria e materialidade, dar subsídios a procedimentos administrativos disciplinares posterior.
*Fonte DN/ Segurança




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