sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Assembleia em clima de eleição da Mesa Diretora. As especulações chegam até apontar nomes para os principais cargos

Apesar de não falar sobre o assunto, Evandro Leitão é um dos nomes mais cotados para presidir a Assembleia no próximo biênio. Foto: ALECE.

Passadas as eleições municipais, o assunto que domina os corredores da Assembleia Legislativa do Ceará, é a eleição da Mesa Diretora da Casa para o biênio 2021/2022, incluindo o novo presidente.

De momento, apenas uma questão não parece passível de discussão, a de que o PDT, dono da maior bancada, deva ser o contemplado com a presidência. De resto, acordos, candidatos e cargos na Mesa seguem em discussão e disputa.

Na manhã desta quinta-feira (03), durante a sessão presencial, as especulações eram as mais variadas, inclusive a de que os principais cargos, como presidência, 1ª secretaria e 1ª vice-presidência já estariam definidos para respectivamente os deputados Evandro Leitão, Antônio Granja e Danniel Oliveira.

PDT se articula

Na corrida para realizar a eleição até o próximo dia 15, como prevê o Regimento Interno da Casa, o PDT articula entre seus parlamentares e lideranças partidárias em busca de um consenso a ser apresentado.

Líder do partido na Assembleia, o deputado Guilherme Landim afirmou ao Blog do Edison Silva que as conversas ainda estão em fase inicial. “Ver quem é quem está colocando o nome à disposição dos colegas para presidir a Casa e tentar, a todo custo, um consenso dentro da bancada do PDT e, logicamente, dentro da Casa, para que a gente possa nesse processo sair com a Casa mais unificada, pacificada e ainda mais forte”, afirmou, desconversando sobre a possibilidade de concorrer à vaga. Landim afirmou ser favorável à manutenção de uma Mesa Diretora eclética, com membros de diversos partidos.

Consenso

Além de Landim, o também pedetista Queiroz Filho e o deputado do PSB, Audic Mota, acreditam ser importante que a eleição do presidente da Casa e da nova composição da Mesa Diretora ocorra de forma consensual.

Audic afirmou que acredita ser justo que o partido com a maior bancada detenha a presidência, mas que as questões precisam ser conversadas e não impostas. “É preciso diálogo aberto com todos os parlamentares. Temos que seguir uma liturgia e buscar um consenso. É preciso diálogo entre as lideranças de vários partidos. Não sou candidato a nada, mas quem se coloca como pré-candidato tem que ter proposta de construir essa unidade. Tem que ter maturidade interna e externa para fazer isso”, enfatizou Audic.

Decano da Casa, o deputado Fernando Hugo (PP) lembrou que, nos últimos anos, têm sido raras as disputas acaloradas pela presidência, comuns nas décadas de 1980 e 1990. “Eu prefiro dar um tempo e ouvir quem é o indicado pelo governador, pelos líderes maiores do Estado, os irmãos Ferreira Gomes, pelo prefeito Roberto Cláudio. Em assim sendo, pode ser que de novo siga-se esse roteiro de trilho não flexível, o indicado de lá chega aqui com a bagagem incontestavelmente grande”, explicou.
Deputado Sérgio Aguiar espera que acordo de não reeleição da atual Mesa Diretora seja cumprido. Foto: ALECE.

A dificuldade para um consenso, explicita Fernando Hugo, é que o próprio PDT tem nomes fortes que buscam ocupar a cadeira da presidência. Ele cita o ex-presidente Zezinho Albuquerque, o deputado Sérgio Aguiar, o presidente da CCJR, Antônio Granja, e o primeiro-secretário da Casa, Evandro Leitão.

Acordo anterior

Outro pormenor amplamente discutido é o acordo feito antes da eleição da atual Mesa Diretora, que dizia que os componentes da atual Mesa, biênio inicial do mandato, não fariam parte no biênio final. Dependendo de que lado esteja o parlamentar, o entendimento do acordo varia.

“Algumas pessoas colocam que esse compromisso foi feito. Vamos saber qual é a disposição de todos para entender qual a definição que será dada. Não é uma definição que esteja no regimento, então vai ter que ser na base de muita conversa”, adiantou Guilherme Landim.

Parlamentares fora da atual Mesa defendem o cumprimento do acordo firmado, dentre eles, os abertamente candidatos à presidência: Sérgio Aguiar e Tin Gomes. “Na política, ninguém é obrigado a fazer compromisso, mas quando faz é para cumprir, e tenho a impressão que será”, defendeu Sérgio Aguiar.

Para outros, mesmo sem se manifestar publicamente, o acordo pode não ser cumprido, ou ser cumprido em parte, não podendo um parlamentar seguir com o mesmo cargo na nova Mesa Diretora, mas podendo estar em outra função, diferente da atual.

Reuniões

A manhã foi de reuniões entre parlamentares na Assembleia. Após abrir a sessão plenária, o presidente Sarto (que permanece no cargo até o final de dezembro) esteve reunido com diversos deputados da base governista tratando da sua sucessão na presidência da Casa.
Ex-presidente Zezinho Albuquerque é bem contado para voltar ao cargo em 2021. Foto: ALECE.

Licenciado, o deputado Zezinho tem trabalhado nos bastidores para viabilizar um novo mandato como presidente. Além do encontro nesta quinta-feira (03) com Sarto, o pedetista esteve esta semana com o senador Cid Gomes e deverá encontrar-se brevemente com Ciro. O parlamentar sabe que o apoio de qualquer um destes lhe daria uma força muito grande para a disputa.

Sem briga

A última disputa ocorrida pela presidência da Assembleia foi exatamente entre dois pedetistas novamente cotados este ano para presidir a Casa: Zezinho Albuquerque e Sérgio Aguiar.

Derrotado daquela vez, Aguiar se diz preparado para o cargo, e lista seus atributos adquiridos ao longo de seus mandatos sucessivos. “Eu fui primeiro-secretário por 4 anos, presidente da Comissão de Constituição e Justiça por 4 anos, presidente da Comissão de Turismo por 4 anos, estou presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, já fui líder do governo Cid, já fui líder de partido na Casa, então me considero experiente, conhecedor e quero ter a franqueza de admitir que estou preparado para poder dirigir o Poder Legislativo Estadual”, afirmou.

Diferentemente daquela vez, o parlamentar afirma que somente disputará o cargo se houver consenso. “Não sou um homem de brigas, não sou um homem de ir para disputas. Já o fiz uma vez, não o farei mais. Sou homem de consenso, é isso que busco agora, que meu partido possa me dar essa condição, através dos nossos integrantes, tanto da bancada estadual, quanto da cúpula do partido”, explicou afirmando que as negociações têm ocorrido de forma tranquila e com parcimônia.

Blog do Edson Silva

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