quinta-feira, 8 de abril de 2021

Divergência de dados é apontada como razão para 3 cidades do CE terem vacinas contra Covid retidas

 

Apenas Trairi, Tururu e Tarrafas não atingiram a meta da primeira dose, segundo a Sesa

No início deste mês, 37 cidades cearenses que não haviam aplicado 85% das primeiras doses da vacina contra a Covid-19 tiveram o envio de novos imunizantes retido. Passados sete dias desde a decisão da Secretaria da Saúde (Sesa) do Estado, três municípios, segundo a Pasta, ainda não atingiram a referida meta. No entanto, gestores se defendem e afirmam que há uma leitura errada das informações, enquanto especialistas alertam para o risco de aumento da transmissão do vírus devido à morosidade da vacinação.

 

A presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems-CE), Sayonara Moura Cidade, que se mostra contrária a decisão a qual classificou como “arbitrária e descabida”, explica que o prazo para atualização no sistema é curto e muitas cidades enfrentam dificuldades e limitações no acesso à internet.

 

“As pequenas cidades precisam de prazo, pois enfrentam falta de suporte de internet, de informática e de pessoal, além de dificuldades em períodos chuvosos de chegar às áreas distantes, isoladas na zona rural, uma vez que a imunização é feita em domicílio da pessoa idosa”, detalhou a representante o Cosems.

“Se a vacina é aplicada e no mesmo dia o sistema não é alimentado com essa informação, fica como se aquela cidade não tivesse alcançado a meta. Isso é um absurdo,” declara Sayonara Moura Presidente Cosems

A presidente do Cosems critica a retenção e pondera que “nenhum município tem interesse em não vacinar". Sayonara acrescenta ainda que, antes da medida ser aplicada pela Sesa, “faltou pedido de informações aos municípios sobre o porquê de não se alcançar a meta de 85% para determinado grupo prioritário”.

 

Em nota, a Sesa explica que "o horário acordado previamente foi de 12h para preenchimento [dos dados de vacinação], sugerido por alguns municípios". Após esse período, quem não atualizar os dados ficará, naquele dia, com a porcentagem da última atualização.

 

O secretário da Saúde de Tarrafas, João Deniciano Mendes Araujo disse que ficou "surpreso" com a retenção e que "a Secretaria do Estado não entrou em contato com o Município". Ainda segundo o gestor, a vacinação em Tarrafas está em "ritmo acelerado".

 

"O último lote recebido foi com 1.434 doses e já aplicamos 1.289. Uma taxa superior a meta [85%]. Todos os nossos idosos acima de 70 anos já receberam a vacina. Portanto, não entendo o motivo dessa retenção", esclarece Deniciano.

 

O secretário disse que vai enviar um ofício à Sesa pedindo explicações e, acrescenta que, "além da doses estarem sendo aplicadas, há divergência de dados". O gestor confidencia que, segundo a Secretaria do Estado, Tarrafas têm 257 profissionais na saúde, enquanto o Município diz ter 174. "Como vou vacinar quem não existe? Desse jeito a gente realmente não bate a meta", critica.

 

A secretária da Saúde de Tururu, Rozzana Tabosa também relata que houve erro no quantitativo de doses envidas. Segundo ela, o Município tem 180 profissionais da saúde cadastros, "mas foram enviadas 280 vacinas. Então, o índice naturalmente cai", explica.

 

Outra divergência apontada por ela diz respeito ao número de quilombolas. Segundo Rozzana, são 780 e a Sesa teria enviado 2.630 doses. A gestora garante que todos os grupos prioritários estão sendo vacinados de forma "celere". "Não há fila de espera para idosos acima de 75 anos e, nos profissionais da saúde, todos já foram vacinados", conclui.

 

A  Secretaria da Saúde do Estado explicou que cabe ao município "reunir-se com as lideranças quilombolas e documentar as estimativas populacionais de cada quilombo". Havendo divergência nos números, como é o caso apontado por Tururu, a Sesa deve ser informada via ofício. "Já enviamos o ofício e estão esperando a liberação das 40 doses retidas", pontuou Rozzana Tabosa.

 

DIÁLOGO

 

Nesta terça-feira (6), a Sesa se reuniu com representantes do Cosems e gestores municipais e estaduais para deliberar medidas acerca da vacinação. Ficou acordado que, quando houver divergência de números entre meta e população vacinada, "deverá ser enviado um oficio para a Área Descentralizada de Saúde (ADS) responsável, solicitando a correção de meta e documentando essa alteração".

(Diário do Nordeste)

 

 

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