sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Moro recebeu R$ 3,7 milhões por consultoria para a Alvarez & Marsal, controladora da recuperação judicial da Odebrecht

 

Entrevista com Sergio Moro na rádio Arapuan FM, da Paraíba (Foto: Reprodução/ @arapuanfm95.3 no Facebook)

O ex-juiz e pré-candidato a presidente da República, Sérgio Moro (Podemos) recebeu U$$ 656 mil, R$ 3,7 milhões na cotação atual por prestação de serviço para a Alvarez & Marsal. O político dá esclarecimentos sobre os valores recebidos em live ao lado do deputado federal, Kim Kataguiri (DEM), um de seus principais apoiadores, nesta sexta-feira (28). Moro vinha resistindo em dar esclarecimentos sobre o contrato que tinha com o escritório.

 

O contrato durou de novembro de 2020 a novembro de 2021. A decisão de apresentar os dados em live foi tomada para tentar mitigar dúvidas e desconfianças em torno da relação do ex-juiz com o grupo empresarial. Os mesmos dados serão apresentados ao Tribunal de Contas da União (TCU). Toda a desconfiança em torno da relação contratual nasceu a partir de investigação do TCU, aberta em dezembro.

 

O primeiro vínculo de Moro foi com a Alvarez & Marsal Disputas e Investigações, empresa com sede no Brasil, vinculada a Alvarez & Marsal Disputes & Investigations LLC, real interessada nos serviços do ex-magistrado, com sede nos Estados Unidos. A operação ocorreu dessa forma porque ele não possuía visto de trabalho para trabalhar em solo norte-americano. Quando o visto saiu, o contrato passou a ser com a A&M.

 

A & M Disputas e Investigações é uma subsidiária da holding A&M, que também controla a Alvarez & Marsal Administração Judicial. E é aí que está a raiz das dúvidas sobre a relação de Moro com a holding estrangeira, uma vez que Alvarez & Marsal Administração Judicial é a responsável pelo processo de recuperação judicial da Odebrecht.

 

A empreiteira brasileira foi uma das principais investigadas e sofreu pesadas perdas financeiras durante a operação Lava-Jato. O presidente, Marcelo Odebrecht foi condenado em processo julgado por Sérgio Moro. A pena foi de 19 anos e 4 meses. Moro, em conjunto com a força-tarefa da operação liderada por Deltan Dallagnol, negociou delação premiada junto ao executivo.

(O Otimista)

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