segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Policial que matou jovem em delegacia em Camocim tem flagrante convertido para prisão preventiva

o crime ocorreu na Delegacia de Polícia, onde a vítima estava custodiada

A prisão em flagrante do policial militar George Tarick de Vasconcelos Ferreira, responsável pela morte do jovem Mateus Silva Cruz, 19, foi convertida para prisão preventiva com objetivo de garantir ordem pública. A decisão foi proferida pela Comarca de Plantão do 15º Núcleo Regional, na noite de domingo (6).


O Ministério Público Estadual (MPCE) chegou a pedir conversão do flagrante para preventiva no mesmo dia da detenção do PM.

Conforme documento assinado pelo juiz Hugo Gutparakis de Miranda, "a periculosidade concreta da conduta do acusado se encontra evidente, já que o mesmo teria efetuado diversos disparos de arma de fogo contra a vítima que estava desarmada, algemada e dentro da delegacia de polícia, denotando total desprezo a ordem pública e paz social".

Por fim, tendo em vista que o crime ocorreu na Delegacia de Polícia, onde a vítima estava custodiada, o juiz oficiou a Corregedoria da Polícia Civil e Militar para apurar as condutas dos policiais que estavam no local.

Da festa para delegacia 

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o policial e a vítima foram levados à delegacia de madrugada após se desentenderem em uma festa na praia de Camocim.

O PM assassinou a tiros o jovem de 19 anos na Delegacia Regional de Camocim. O caso aconteceu por volta das três horas da madrugada. O policial foi preso em flagrante por homicídio.

O agente de segurança é investigado pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), que informou, em nota, ter determinado “imediata instauração de processo disciplinar para a devida apuração do fato na seara administrativa”.

Desentendimento

O relatório conta que os envolvidos na discussão estavam sentados num banco de um corredor externo da delegacia, aguardando atendimento, quando o policial sacou sua pistola funcional e efetuou diversos disparos contra a vítima, que morreu instantaneamente.

Os outros policiais que testemunharam o assassinato disseram que, depois disso, o autor do crime entregou a pistola e se rendeu. A vítima estava algemada quando foi assassinada.

Policial militar que matou jovem em delegacia de Camocim respondeu a outros processos por agressão.

O policial militar George Tarick de Vasconcelos Ferreira, 33 anos, que assassinou a tiros um jovem de 19 anos dentro da Delegacia Regional de Camocim, na madrugada do último domingo (6), já respondeu a outras duas acusações de agressão física.

Conforme documentos oficiais, em outubro de 2018, durante uma abordagem do Batalhão de Policiamento de Rondas Intensivas e Ostensivas (BPRaio) da Polícia Militar do Ceará (PMCE), no município de Granja, George e mais três policiais militares teriam agredido uma adolescente e seu namorado após supostamente invadirem o domicílio do rapaz à procura de drogas e armas.

A garota relatou que levou um tapa - sem identificar qual PM fez isso - ao dizer que não sabia de droga alguma, além de ter sido ordenada a levantar a roupa íntima para atestar a presença de substâncias ilícitas. Enquanto isso, ouvia as agressões sofridas pelo namorado.

A situação só teria sido resolvida após a chegada de um tio do rapaz ao local. Após o tapa, a garota ficou com um hematoma. Ela também teria machucado a mão ao ser ordenada a procurar drogas no telhado da casa.

O caso resultou num Inquérito Policial Militar (IPM). Porém, num segundo depoimento, a jovem confirmou que o agora ex-namorado vendia drogas; que ele foi preso no dia das supostas agressões porque os policiais encontraram drogas e uma espingarda na residência; e que não teria escutado nenhum ataque ao rapaz.

Nos depoimentos de defesa, os quatro PMs foram unânimes em relatar que receberam uma denúncia sobre venda de drogas no local; que o rapaz autorizou a entrada deles na residência; e que não praticaram nenhuma agressão contra os dois jovens.

O IPM concluiu que não foi possível encontrar indícios de materialidade do crime de abuso de autoridade e não pediu o indiciamento dos investigados. Em julho de 2020, a Justiça Estadual do Ceará decidiu arquivar o inquérito, após parecer favorável do Ministério Público do Estado (MPCE).

Segunda briga

Já em julho de 2021, um homem foi à Delegacia de Camocim relatar que George chegou à casa dele, à paisana, e deu-lhe um soco no rosto, "sem motivo aparente e sem provocação". O homem adicionou fotos das lesões sofridas e disse que temia pela segurança dele e da família.

Uma testemunha também afirmou em depoimento que George teria questionado porque o homem o estaria encarando. Após um bate-boca e o soco, o homem teria empurrado o PM. Em seguida, pessoas próximas separaram a briga.

No depoimento de defesa, o PM disse que foi à casa do homem para falar com o pai deste, quando teria sido agredido verbalmente. Nessa hora, confirma que entrou "em vias de fato" com o homem, mas que não desferiu nenhum soco. Atualmente, este caso ainda tramita na Justiça cearense.

Homicídio em Camocim 

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no caso da morte no último domingo, George e a vítima, identificada como Mateus Silva Cruz, foram levados à delegacia de madrugada após se desentenderem em uma festa na praia de Camocim.

O relatório policial conta que os envolvidos na discussão estavam sentados num banco de um corredor externo da delegacia, aguardando atendimento, quando o policial sacou sua pistola funcional e efetuou diversos disparos contra a vítima, que morreu instantaneamente.

O policial foi preso em flagrante por homicídio e está à disposição da Justiça. Ele também vai ser investigado pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD). Nesta segunda, Tarick teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

Vítima também respondia 

Mateus Silva Cruz também tinha um processo aberto contra ele na Justiça cearense. Conforme denúncia do MPCE, o rapaz teria desacatado, agredido verbalmente e ameaçado guardas civis municipais no Centro de Camocim, em dezembro do ano passado.

No dia 1º de fevereiro, a Comarca de Camocim deu 10 dias para o réu responder à acusação, mas ele foi morto antes do esgotamento do prazo legal.



Nenhum comentário: