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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

REJEIÇÃO À CÂMARA PODE AFETAR PALANQUES LOCAIS

( Foto: Agência Brasil )
É comum ver candidatos do mesmo arco de aliança, que disputam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, formarem "dobradinhas" nas disputas eleitorais como estratégia para angariar mais votos e garantir a eleição dos aliados. Assim, um postulante usufrui do cacife eleitoral que o colega tem em determinada região do Estado, para alavancar a sua candidatura e obter êxito no pleito.

Neste ano, porém, o posicionamento da bancada cearense na Câmara, diante de votações polêmicas como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), as denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (MDB) e medidas tidas como impopulares propostas pelo governo do emedebista, pode afetar as "dobradinhas", na avaliação de deputados estaduais entrevistados pelo Diário do Nordeste. Apesar disso, alguns apostam que o eleitor vai saber "distinguir" um parlamentar do outro e afirmam que o peso maior deve ser sentido pelos próprios deputados federais.

Após a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleceu um teto para os gastos públicos da União por 20 anos e das duas denúncias criminais da PGR contra o presidente Michel Temer, é a polêmica Reforma da Previdência, que o governo federal quer que seja votada na Câmara em fevereiro, que tem provocado reações e cobranças do eleitorado junto aos parlamentares.

Influência

Diante do clima de insatisfação com o mundo político, Audic Mota (MDB) acredita que deputados estaduais poderão sair prejudicados em municípios cearenses, na eleição deste ano, se aparecerem ligados aos deputados federais que votarem "contra as pessoas". "O eleitor vai estar atento ao posicionamento dos deputados, principalmente os federais, nas votações mais polêmicas. Deputados (estaduais) podem sofrer prejuízo nos municípios em que fizerem dobradinha com esses federais", avalia.

Também é o que projeta o deputado estadual Elmano de Freitas (PT). Ele diz que vai trabalhar em "dobradinha" com a deputada federal Luizianne Lins (PT) na Capital e em municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em busca da reeleição de ambos para a Assembleia e para a Câmara, respectivamente. "No nosso caso é um pouco diferente, porque aí (na estratégia) tem muito uma lógica de estrutura, de recurso e, no nosso caso, é uma lógica de militância, portanto, vale muito mesmo o trabalho realizado", aponta.

Segundo o petista, contudo, o efeito contrário também já tem sido observado por parlamentares em incursões pelo Interior do Estado. "Temos visto, no Interior do Ceará, deputados federais sendo vaiados, tendo dificuldade, inclusive, de ter pronunciamento em alguns municípios", relata. "Tenho impressão de que o nível de consciência do nosso povo vai se elevando e acho que essas pessoas vão sendo retiradas das possibilidades de serem votadas pelo eleitor", completa.

O deputado João Jaime (DEM), que aposta na possibilidade de fazer uma "dobradinha" com o recém filiado ao Democratas Danilo Forte, nota que, no Interior, há uma "rejeição" aos parlamentares que votaram a favor de reformas propostas pelo governo federal. No entanto, na sua visão, embora ele e o colega de partido sejam favoráveis às mudanças, não é possível mensurar "até que profundidade" os posicionamentos vão impactar nas perspectivas de reeleição.

Lideranças locais

"No Interior, as coisas funcionam mais no que a liderança política local indica para votar. Claro que tem uma parte do eleitor que tem uma massa crítica e esse eleitor pode se revoltar e não votar, mas não é a grande maioria. Eu sou votado em mais de cinco municípios com o deputado Danilo Forte e vejo que, no final, o trabalho que ele exerce, a presença no município, os recursos que ele coloca para solucionar os problemas dos municípios é que vão nortear os votos na eleição", argumenta.

Por outro lado, Fernanda Pessoa (PR) observa que os eleitores conseguem "separar" um parlamentar do outro e, por isso, não acredita que os candidatos ao Legislativo Estadual serão prejudicados se trabalharem pela reeleição com deputados federais. Ela poderá dividir palanque com a deputada federal Gorete Pereira (PR), mas esclarece que a "dobradinha", dentro do partido, "às vezes é uma coisa que não depende da gente escolher".

"Às vezes, somos apoiados por um prefeito, então acho que é uma coisa separada. A população está atenta, ela separa os parlamentares. Todo mundo sabe dos meus posicionamentos. Acho que vai prejudicar deputado federal. Acho que a renovação na Câmara vai ter na Assembleia também, mas, na Câmara, vai ser maior ainda", acredita.
Fonte: DN



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