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eiro o POVO

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Atoleiros, valas e riachos desafiam quem trafega pela vias rurais do Ceará


Em Quixadá, muitos acessos rurais estão intransitáveis com as chuvas de abril ( Foto: Alex Pimentel )
As chuvas desde 2018 têm aliviado o sofrimento de milhares de sertanejos. Encheu barreiros, trouxe fartura para as lavouras, mas também um grande desafio: o escoamento das produções agrícolas, principalmente de milho, de feijão e de legumes. A colheita foi iniciada e com ela veio a preocupação de como chegará às feiras livres e mercados. As águas dos rios estão baixando, mas o lamaçal, atoleiros e enormes valas estão dificultando o tráfego dos veículos, inclusive de grande porte, nas artérias vicinais do Ceará.

Quixadá, no Sertão Central, é um exemplo. Historicamente, é onde chove menos na região durante a Quadra Chuvosa, mesmo assim, o volume do mês passado foi o suficiente para impossibilitar o tráfego em diversas estradas. As máquinas tinham nivelado a maioria delas durante o ano passado.

"O serviço está sendo feito novamente", explicou o secretário de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, Kleber Júnior. "Onde havia atoleiros utilizamos areia dos rios e cascalho. O nosso tráfego rural está voltando ao normal", completou.

Na região Norte do Estado, Martinópole registrou de janeiro até maio deste ano, 1046.4mm. O mês de fevereiro foi o mais chuvoso no município, registrando 430.9mm, deixando atoleiros em vários pontos das estradas rurais do município.
Estrada que liga as localidades de Lagoa Cercada, Lagoa do Curral e Boa Vista em Martinópole
A estrada que liga as localidades de Lagoa Cercada, Lagoa do Curral e Boa Vista foi a mais afetada, ocasionando transtornos e prejudicando alunos, professores e moradores. A prefeitura de Martinópole tentou minimizar a situação colocando cascalho nos trechos mais danificados, porém o problema continua  pela falta de continuidade na manutenção. A situação piora nas vias de acesso às comunidades rurais, carroçáveis, cortadas por rios e riachos. Muitas estão intransitáveis.
O ônibus que faz o transporte dos alunos da Rede Estadual ficou atolado nesta quarta-feira, 09, os alunos tiveram que voltar a pé para suas casas- (Foto: Vc. Repórter).
Já no município de Granja, foram registradas as maiores chuvas de abril. Foram 648mm, 159.6% acima da média do mês. Até agora foram 1858.0 mm, o que agravou a situação das estradas que interligam a zona rural, prejudicando o deslocamento de muitos moradores.

A cerca de 30Km da sede, num trecho da comunidade de Paula Pessoa, a força das águas do Rio Itacolomy arrastou parte da estrada, formando um profundo buraco, próximo da cabeceira da única ponte de acesso a várias localidades.
A cerca de 30Km da sede, na comunidade de Paula Pessoa, o Rio Itacolomy engoliu parte da estrada, formando um profundo buraco ( Foto: Marcelino Júnior )
Segundo Raimundo Braz, subsecretário de Infraestrutura do Município, com a redução das chuvas, trabalhos de manutenção têm sido realizados. "À medida em que a chuva cessa, obras de terraplanagem e compactação vão minimizando os danos. É grande a extensão de estradas não asfaltadas que interligam as muitas comunidades. Com a redução no fluxo das águas, aos poucos, as demandas vão sendo atendidas, num trabalho constante de reparos", afirma.

Em Crato, a melhoria das estradas que ligam à zona rural é reivindicação antiga da população. Nas vias que dão acesso à sede do distrito de Baixio das Palmeiras, as chuvas criaram buracos e a vegetação toma conta. A pavimentação solta e a lama impedem que alguns veículos transitem por lá. No Sítio Chico Gomes, o médico que atende a comunidade quinzenalmente não pôde ir porque o caminho estava intransitável.

Regional

(Fotos: Alex Pimentel)
Ainda em Quixadá, os estragos foram grandes e a Prefeitura tem trabalhado no sentido de devolver aos moradores as condições de transporte entre os distritos e de ligação à sede do Município.

Na Vila Padre Cícero, entre Crato e Juazeiro, uma cratera se formou e os moradores temem ficarem ilhados. Segundo eles, a Prefeitura já fez reparo duas vezes no mesmo local, mas a força da água danificou a estrada novamente. Já no acesso ao distrito Campo Alegre, os moradores aguardam há 16 anos. Os buracos, que tomam toda pavimentação, impedem a subida e descida de veículos de maior porte. Lá também é trajeto para a rodovia que liga o Município a Nova Olinda e a Exu (PE).

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) informou, em nota, que já tem um projeto para as estradas no distrito de Baixio das Palmeiras, onde será realizado o serviço de pavimentação em pedra tosca e a construção de uma passagem molhada. Em relação às estradas vicinais, ainda na primeira quinzena de maio, chegará mais um equipamento para realizar o serviço de manutenção dessas estradas.

Enquete

Como a chuva interferiu nos deslocamentos?

Para termos chuva, precisamos da força da natureza e do dom de Deus, mas, para consertar as nossas estradas, sabemos que dependemos somente da vontade dos governantes"

Zias de Queiroz Castelo Branco Motorista de ônibus

"Quando a gente percebe que as estradas vão ficando perigosas por causa das chuvas dá uma aflição. Nessas horas, ninguém quer se arriscar. É melhor ficar em casa até a situação melhorar"

Francisca Jadna de Oliveira. Moradora rural
 Com informações: DN/Regional




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