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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Secretário de Pacatuba é preso por chefiar esquema de agiotagem que movimentou R$ 23 milhões no Ceará


Bim Araújo recebia pelo menos 8% dos lucros do esquema ilegal por mês (Foto: Reprodução/Instagram)
Dos sete presos por participação em esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 23 milhões, dois exercem cargo público na Prefeitura de Pacatuba. Antônio Fábio da Silva Araújo, 41, o Bim Araújo, é secretário da Articulação Politica do Município e considerado um dos chefes da organização criminosa. Ele não possuía antecendentes criminais. O funcionário do governo municipal se apresentou à Polícia na segunda-feira, 17.

Bim usava o próprio perfil nas redes sociais, aproveitando sua influência em Pacatuba, para alugar imóveis. A Delegacia de Repressão às ações Criminosas Organizadas (Draco) confiscou 51 imóveis - mas a Polícia acredita que o número pode chegar a mais de 80 -, avaliados em mais de R$ 2,5 milhões e 52 veículos, incluindo dois automóveis de luxo e grande número de motocicletas. As informações foram divulgadas em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 19.

Outro dos presos que exerce cargo no Município trabalhava como funcionário de Bim na pasta e foi identificado como Maurílio da Silva Oliveira, 44. No esquema, o papel dele era administrar o aluguel de casas, apartamentos, quitinetes e salas comerciais. Ambos, assim como o restante dos indivíduos, são investigados por organização criminosa, lavagem de dinheiro, agiotagem e sonegação fiscal. 

Utilizando de fachada uma empresa de equipamentos para comércios, como aparelhos de freezer, chapas, entre outros, Bim articulava o empréstimo e a cobrança do dinheiro fruto da agiotagem. Motociclistas contratados pelo esquema faziam rotas diárias em busca de recolher o valor dos juros da quantia emprestada enquanto fingiam que estavam fazendo entrega dos produtos vendidos na loja. Pelo menos três empresas funcionavam de disfarce para as atividades ilícitas.

Aluguel de imóveis comprados para lavar dinheiro eram
anunciados nas redes sociais (Foto: Reprodução/ Facebook)

Após a primeira fase da operação, em agosto deste ano, a equipe da Draco conseguiu acesso a cadernos com anotações sobre as movimentações financeiras do grupo. Eletrônicos também foram apreendidos. Segundo o delegado titular Harley Filho, desde 2015, mais de R$ 23 milhões foram realizadas transitaram pelas ações do grupo. Neste período, Bim Araújo ficava com 8% a 15% dos lucros. Os outros envolvidos recebiam valores fixos.

Além dos funcionários, algumas pessoas que funcionavam como "laranjas" no esquema milionário foram presas temporariamente. São elas Humberto Alexandre dos Santos Costa, 39, com passagem policial por desacato; Laércio Silva Cajazeira, 49, sem antecedentes; Adeildo Albuquerque Sobrinho, 35, com passagem por calúnia e ameaça, e Larissa Marinho Cajazeira, 21, com nenhum antecendente. Todas as prisões foram covertidas em liberdade condicional com monitoramento por tornozeleira eletrônica durante os próximos 30 dias.

Jacinta Braga de Souza, esposa de Bim Araújo, possui uma imobiliária em seu nome, que segundo informações divulgas pela Polícia Civil, era usada para administrar os aluguéis dos imóveis apreendidos e comprados com o dinheiro da agiotagem. Ela não foi presa, mas está sendo alvo das investigações.

O esquema continua sob investigação e já se sabe que é de atuação interestadual. Bim já foi investigado pelos mesmos crimes no estado do Rio Grande do Norte. De acordo com o delegado adjunto da Draco Alisson Gomes, o esquema pode estar presente em grande parte dos estados do Nordeste.

O POVO Online procurou a Prefeitura de Pacatuba por volta das 11h da manhã de quarta-feira em busca do posicionamento do governo municipal sobre as acusações contra os funcionários públicos. Em nota enviada ao O POVO Online na tarde desta quarta-feira, 19, a Prefeitura do Município disse que aguarda informações aprofundadas sobre o caso para emitir comunicado oficial. Além disso, afirmou que Bim Araújo foi exonerado do cargo desde o dia 13 de dezembro.

O pronunciamento não informou se o segundo acusado, Maurílio da Silva, continua exercendo funções na Prefeitura.

Confira a nota da Prefeitura de Pacatuba na íntegra

O Governo Municipal de Pacatuba, recebe com surpresa e cautela a notícia da prisão de seu secretário de Articulação Política, e aguarda informações aprofundadas para emitir nota oficial. Contudo, para assegurar isenção, o senhor Antônio Fábio da Silva Araújo foi exonerado desde o dia 13 de dezembro.
*O POVO Online


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