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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Turismo de luxo muda Jericoacoara e encarece vila cearense

Vila de Jericoacoara (Foto: reprodução fateixa)

Aos 98 anos, Zé Diogo se acostumou ao pancadão a 20 metros de onde vive há décadas. A casa pequena começa a ficar ilhada em meio a pousadas, butiques, hotéis chiques e baladas. A Jericoacoara de Zé Diogo, o mais velho morador da praia cearense entre as mais belas do país, não é mais a mesma.

A 280 km de Fortaleza, Jericoacoara, que pertence à cidade de Jijoca de Jericoacoara, já foi uma uma vila de pescadores. Primeiro chegaram os mochileiros, a maioria estrangeiros, entre os anos 1970 e 1980. "Os gringos acampavam na praia, nos quintais das casas", conta Zé Diogo.

Depois, nos anos 1990 e 2000, foi a vez de esportistas e praticantes de kitesurfe, o que exigiu pousadas mais estruturadas. Agora, é de luxo a terceira fase de turismo de Jeri, como é chamada.

Hotéis com piscinas nas varandas, barracas de praia que cobram R$ 100 por uso de um espaço VIP com wifi e bangalô para descanso e festas com champanhe à luz do dia integram o roteiro. "Gosto desse conforto, minha escolha por Jeri passou por isso", disse o empresário Stephan Terin, 43.

O ápice do glamour de Jeri ocorreu no Réveillon. Foram cinco dias, de 27 a 31 de dezembro, com shows de Ivete Sangalo, Anitta e um evento extra, que contou com o DJ Alok. Os ingressos custaram milhares de reais.

O glamour encareceu a vila para turistas, mas também para moradores. Os aluguéis triplicaram e muitos precisaram se mudar para comunidades vizinhas, como Preá, Mangue Seco e Guriú. Todas viraram vilas dormitórios: as pessoas pernoitam por lá e trabalham em Jeri. Há quem chame as comunidades de "região metropolitana de Jericoacoara".

O turismo na vila teve um bom desempenho nos últimos anos. Em 2018 houve aumento de 20% do número de visitantes, comparado a 2017, segundo a prefeitura de Jijoca.

A inauguração em julho de 2017 do aeroporto de Jeri, numa cidade vizinha a cerca de 40 minutos de carro, levou voos diretos de cidades como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Campinas e Recife, evitando as quase cinco horas de carro de quem desce do avião em Fortaleza.

Houve também a criação do hub das empresas aéreas Air France e KLM na capital, o que aumentou a oferta de voos internacionais. "O aeroporto alterou um pouco o perfil do turismo. É mais elitizado, com projetos de hotéis de primeiríssima", disse Ricardo Wagner, secretário de desenvolvimento econômico, turismo e meio ambiente de Jijoca.

Além disso, o asfaltamento de uma via que liga a CE-085 até a praia vizinha, do Preá, facilitou o acesso a Jeri por carro.

*Folha de São Paulo



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