teste

quinta-feira, 5 de março de 2020

Esposa de PM preso por deserção no Ceará relata em detalhes prisão do marido


Nesta quarta, aproximadamente 42 policiais foram liberados. (Foto: Mauri Melo/O POVO). (Foto: MAURI MELO/O POVO)
Uma mulher de 29 anos, que pede para não ser identificada, teve dois momentos marcantes nesta quarta-feira, 4. O primeiro foi a confirmação da gestação do segundo filho. Ela já é mãe de uma criança de 4 anos. O segundo foi o momento de buscar o marido, policial que estava preso por crime de deserção no Ceará, nas dependências do antigo Batalhão de Choque. "Foram 11 dias que tirei junto com ele nessa prisão", detalha em entrevista ao O POVO.

Ao filho, a mãe disse que o pai estava fazendo um curso "para se tornar um policial melhor". A distância entre pai e filho fez com que as obrigações, antes divididas, concentrassem-se na mulher. "Ele colocava para dormir, ensinava a tarefa", relatou.

A rotina de família transformou-se em ir ao antigo prédio do Batalhão de Choque, na rua Antônio Pompeu, no Centro, primeiro lugar da prisão e, em seguida, a Itaitinga, no Presídio de Segurança Máxima, para onde foram transferidos. Em virtude da situação de um presídio comum, que ainda não havia sido inaugurado, os militares foram reencaminhados para o antigo batalhão de choque novamente.

Ela explica que tudo começou na sexta-feira, 21, no dia da Operação Carnaval. Quando o marido estava com problemas respiratórios há alguns dias e prestes a uma forte piora, o casal procurou um hospital. O médico repassou um atestado médico e eles foram deixar no batalhão que ele trabalhava, horas depois, para justificar ausência do trabalho durante os dias de folia. O nome da doença não é divulgado para não identificar o esposo, a pedido da família.

No domingo, 22, o nome do policial saiu na lista dos desertores. "No primeiro momento não acreditei. Ele estava todo paramentado com atestado médico e ainda sim ser considerado desertor. Até o instante de eu ir ao antigo BPChoque eu tinha a convicção que não iria ficar preso", ressalta.

Depois disso, a mulher relata que encontrou um forte aparato policial. Não foi autorizada a entrar com o marido e, após ele prestar depoimento, foi levado diretamente à sede da Perícia Forense e, quando voltou, permaneceu preso.

Ela relata, então, que passou a visitá-lo. "Eu procurava não chorar na frente dele, me tornava forte e falava que ia dar certo, mas quando eu chegava em casa era o momento que eu tirava minha máscara e desabava", relata. Um médico chegou a ir à unidade e constatou que o homem estava com febre.

A esposa descreve o policial como "um pai de família" e relata que nunca teve problemas de comportamento na corporação. Ela nega o envolvimento dele com a paralisação. "Foram 11 dias que eu tirei junto com ele nessa cadeia e 11 dias sofridos de luta. Não tive um dia que não tivesse saído para resolver algo. Ele é um policial que trabalha honestamente, cumpria os horários. Vou demorar a dormir tranquila. Na minha cabeça, vou estar lá no presídio de Itaitinga", descreve.

Durante a entrevista ela comentou que pensou que o momento mais marcante da vida fosse o nascimento do filho, no entanto, a prisão do marido superou tudo o que já viveu. "É mais válido um criminoso solto do que um inocente na cadeia", diz.

Casados há seis anos, nesta quarta-feira, 4, ela descobriu que estava grávida e contou ao marido no momento que ele saiu da prisão. "Ele ficou feliz. Não estava no nosso planejamento e foi um momento de crise, mas é um momento de alegria e ele provavelmente não vai esquecer".

Ainda nesta quarta, o casal saiu para almoçar. "Era o que ele mais desejava. Passou esses dias sem se alimentar da comida de panela que ele gosta. E quando chegar vamos a igreja para agradecer. Amanhã (5), já começa a rotina", relata.

No fim da entrevista, ela fez uma reflexão sobre se casar com um policial e das preocupações do dia a dia, que variam entre o medo de acontecer algo na rua e, atualmente, as questões que o militarismo impõe. "Hoje eu não sei se me preocupo com a parte jurídica ou com a física. No primeiro momento de ele estar na rua e não chegar em casa, mas tem a questão do militarismo também".



Nenhum comentário: