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quinta-feira, 2 de julho de 2020

'Fake news' em Acaraú pode ter ligação com lavagem de dinheiro


Dois homens são investigados por calúnias de cunho político no Município. A Polícia Civil investiga se R$ 1 milhão em dinheiro, promissórias e cheques apreendidos na casa de um dos suspeitos teriam origem criminosa
No mesmo dia em que o Senado aprovou o projeto de lei das fake news, a Polícia Civil do Ceará deflagrou operação para combater a propagação de notícias falsas na cidade de Acaraú, interior do Estado. Dois homens são investigados por calúnia ao disseminarem fake news de natureza política nas redes sociais. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, as autoridades colheram indícios que apontam a possibilidade de outros crimes, como agiotagem e lavagem de dinheiro.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) foram apreendidos mais de R$ 1 milhão em dinheiro, cheques e notas promissórias. As investigações tiveram início há cerca de quatro meses, após denúncias sobre um perfil em rede social que vinha atacando pessoas ligadas a um partido político. Há suspeita que outras pessoas estejam envolvidas nas ações investigadas.

A partir de decisão judicial foram informados os IPs das máquinas de onde os ataques eram publicados. A Polícia Civil solicitou mandado de busca e apreensão, que foi deferido pelo Poder Judiciário e cumprido nessa terça-feira (30). Inicialmente, os policiais civis chegaram a dois alvos específicos na cidade de Acaraú. Na casa de um deles, foram encontrados os papéis que somados totalizavam mais de R$ 1 milhão.

Um homem de 18 anos prestou depoimento e, segundo a Polícia Civil, confessou que realizava as publicações nas redes sociais. O delegado Ricardo Magalhães, da Delegacia Municipal de Sobral, que também participou das buscas, conta que o suspeito tinha um perfil falso no Instagram. Ao localizar o IP, os policiais foram até a localidade da Fazenda Lagoa, e apreenderam aparelhos eletrônicos que serão periciados e devem auxiliar nas próximas fases da investigação.

"No depoimento, ele relatou que participava do esquema. Não disse se alguém o pagava ou não. O outro endereço de onde partiam as publicações, este outro em um perfil no Facebook, era dentro da cidade de Acaraú mesmo", afirmou Magalhães.

Próximos passos

De acordo com o delegado, nas buscas foram observados indicativos dos crimes de lavagem de capitais e agiotagem. O policial acrescenta ter chamado atenção dos investigadores um veículo de luxo, alta movimentação bancária, dezenas de cartões de bolsa-família e contratos de imóveis.

"Isso tudo será investigado pela Delegacia Regional de Acaraú. Vão analisar os documentos e ver se realmente há estes crimes. É uma movimentação bem alta, mas, até então, são indícios. Como o crime imputado inicialmente é o de calúnia, eles não ficaram presos. Durante a investigação se ficarem comprovados outros crimes pode-se representar pelas prisões", explicou Ricardo Magalhães.

O delegado de Sobral destacou que disseminar falsas informações propositalmente pode gerar uma responsabilização criminal: "é importante que a população tenha ciência que propagar fake news causa transtornos às imagens das pessoas". Já o delegado titular da Delegacia Regional de Acaraú, Alailton Andrade, reforçou que a Polícia Civil acompanha a divulgação desse tipo de material no mundo virtual.

"A Polícia Civil continuará trabalhando e investigando a divulgação de fake news na cidade. Nós rastrearemos toda a rede de informações e as pessoas que compartilham e ajudam nesse tipo de crime. Então tenham cautela com o que vocês compartilham, porque nós estamos atentos a isso", disse Andrade.
*DN/Polícia


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