sexta-feira, 12 de março de 2021

Em média, 20 pessoas morreram por dia de Covid-19 no Ceará em 2021, diz Secretaria da Saúde

 

20 pessoas morrem por dia de Covid-19 no Ceará, em média, diz Secretaria da Saúde — Foto: Laudinei Sampaio/Rede Amazônica

O Ceará registrou, em média, 20 mortes por Covid-19 nos dois primeiros meses de 2021, conforme aponta o boletim epidemiológico semanal da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), divulgado nesta sexta-feira (12). O estado enfrenta um período crítico da pandemia com crescimento também de casos e alta na taxa de ocupação de leitos de UTI. Todos os municípios cearenses entram em uma fase de isolamento social mais rígido a partir deste sábado (13).


O informe indica ainda que os meses de janeiro e fevereiro registraram médias diárias de 16,3 e 24,3 óbitos, respectivamente. O dia 23 de fevereiro registrou o maior número de ocorrências, com 38 mortes. Os primeiros quinze dias de fevereiro apresentaram um aumento de 41,2% na média de óbitos por Covid-19, observando-se uma aceleração a partir do dia 19.

 

O aumento de mortes pela doença se reflete na quantidade de Áreas Descentralizadas de Saúde (ADS). Em 13 das 22 ADS do Ceará há aumento de óbitos por Covid-19, com destaque para as áreas de Maracanaú e Quixadá, com alta de 750% e Iguatu, com 433% de aumento. A ADS de Fortaleza aparece com crescimento de 63%.

 

De acordo com o IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o estado já registra 465.531 casos confirmados da doença e as mortes de 12.175 pessoas. O número de recuperados é de 332.869, conforme dados atualizados na tarde desta sexta-feira (12).

 

Leitos podem se esgotar


A secretária da Saúde de Fortaleza, Ana Estela Leite, afirmou, durante transmissão pelas redes sociais, na manhã desta sexta-feira (12), que os leitos da administração pública e da rede particular exclusivos para a Covid-19 na capital cearense podem "se esgotar a qualquer momento".

 

A cidade está em isolamento social rígido, determinado pelo governador Camilo Santana (PT) e pelo prefeito Sarto Nogueira (PDT), a fim de reduzir o número de contágios e óbitos provocados pela doença, os quais vêm apresentando aumento desde o fim do ano passado. As medidas mais rigorosas ocorrem entre 5 e 21 de março.

 

Das 12 unidades públicas disponíveis para atendimento mais grave de pacientes com Covid-19 em Fortaleza, seis já estão colapsadas, enquanto outras três estão com ocupação acima de 90%. Os leitos de enfermaria em hospitais públicos estão com 91% de ocupação.

 

Veja a ocupação dos leitos de UTI e enfermaria em Fortaleza 

"Temos cenários de incertezas. Essa capacidade instalada [de leitos] pela rede pública, pela rede privada também em expansão, ela pode se esgotar a qualquer momento. A população precisa fazer a sua parte", pontuou a secretária


Sem previsão de pico

De acordo com Ana Estela, ainda não se sabe também quando Fortaleza chegará ao pico da segunda onda, apesar de os números já estarem próximos ao que foi verificado em maio de 2020, quando foram registradas as maiores quantidades de casos e óbitos provocados pela Covid-19.


Conforme o gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica de Fortaleza, Antônio Lima, a média móvel de casos na capital calculada pela SMS atingiu 850 casos por dia. O número é próximo do pico em 2020, quando foram registrados mais de 950 casos/dia.

 

As mortes em decorrência do coronavírus também apresentaram aumento. Segundo Lima, Fortaleza está com uma média móvel de 30 óbitos por dia, atualmente. Ele lembrou que, em meados de outubro, a cidade atingiu os menores números: dois a cada 24 horas, em média. "A média móvel de óbitos ganhou muita velocidade na transição de janeiro para fevereiro", explica.

 

Para o epidemiologista, a segunda onda da Covid-19 na cidade deve ser longa, uma vez que se iniciou em outubro do ano passado, mais localizada, porém se dispersou ao longo do município em transmissão comunitária altíssima.

(G1/Ceará)

 

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