sábado, 5 de março de 2022

Estados elevam gasto com educação a patamar superior ao de antes da pandemia

 

Houve um aumento de 105% no total de investimentos financiados pelos estados desde o início da pandemia

Governos estaduais aumentaram de forma expressiva seus gastos com educação no fim do ano passado, elevando investimentos a um patamar superior ao observado antes da pandemia do coronavírus, que levou à suspensão das aulas presenciais em todo o país por mais de um ano.

 

Um estudo da Rede de Pesquisa Solidária, que reúne instituições públicas e privadas e monitora políticas de enfrentamento da Covid-19, indica que a reabertura das escolas no último semestre levou os estados a afrouxar amarras que haviam represado recursos na fase mais aguda da pandemia.

 

Segundo o levantamento, os 26 estados e o Distrito Federal aumentaram seus gastos com educação em 18% no ano passado, em termos reais, descontada a variação da inflação. Com isso, as despesas atingiram um nível 7% superior ao registrado em 2019, conforme os pesquisadores.

 

Em 14 das 27 unidades da Federação, o avanço dos gastos com educação foi maior do que o aumento das receitas dos governadores, que cresceram muito no ano passado com a alta dos preços dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica, apesar da lenta recuperação da atividade econômica.

“Os governos estaduais fizeram um grande esforço nos últimos meses do ano, a despeito da ausência de qualquer tipo de coordenação a nível federal das ações necessárias para a reabertura das escolas”, afirma a economista Úrsula Peres, da Universidade de São Paulo, coordenadora do estudo.

 

Os gastos dos estados com educação caíram 9% em 2020, quando as autoridades fecharam as escolas para conter a propagação do coronavírus e passaram a oferecer atividades remotas aos estudantes. Muitos alunos não conseguiram acompanhar as aulas, por falta de acesso à internet.

 

​Transferências emergenciais de verbas federais compensaram perdas de receita causadas pela paralisia da economia no primeiro ano da pandemia, mas a maioria dos estados adotou estratégia conservadora na gestão dos recursos, guardando boa parte do dinheiro em vez de gastá-lo.

 

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