terça-feira, 19 de julho de 2022

Fim da aliança: PT acusa PDT de “rompimento tácito e unilateral”

 

Essa é a primeira vez que Santana se coloca oficialmente contra os irmãos Ferreira Gomes, que apoiaram sua candidatura ao Governo do Estado nos dois últimos pleitos gerais. O ex-governador Camilo e o ex-presidente Lula / Divulgação

O rompimento entre PT e PDT, após a escolha do nome de Roberto Cláudio para concorrer ao Governo, foi oficializado. Dirigentes do Partidos dos Trabalhadores se reuniram na tarde de terça-feira (19), no Hotel Amuarama, para debater qual caminho a agremiação vai seguir nas próximas eleições.


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Logo após o encontro, o partido divulgou uma nota em que diz que tentou manter a aliança, mas a decisão pelo rompimento foi tomada de forma unilateral pelo PDT.

 

“O PDT se fechou em copas. Tratou todas as tentativas de diálogo prévio à sua escolha como intromissão indevida”, diz o manifesto do PT.

 

Para o partido, “prevaleceu a arrogância, o capricho e a expressão de mando que subjugou os interesses dos cearenses à obsessão de poder de um só. Esse veto materializou ainda o rompimento tácito e unilateral da aliança até então estabelecida”.

 

O PT finalizou o manifesto se solidarizando com a governadora Izolda Cela e informando que apoiará a candidatura ao Senado do ex-governador Camilo Santana e de Lula para a Presidência.

 

Essa é a primeira vez que Santana se coloca oficialmente contra os irmãos Ferreira Gomes, que apoiaram sua candidatura ao Governo do Estado nos dois últimos pleitos gerais.

 

Novas configurações

 

Mais cedo, o Partido dos Trabalhadores havia informado que manterá o diálogo com os partidos que integram a Federação Brasil Esperança (PCdoB e PV), além do MDB, PP e outras legendas com quem tem conversado.

 

A decisão por uma candidatura própria ganhou corpo, com a decisão do PDT de que Roberto Cláudio será o candidato pela sigla. A simulação de vários cenários, incluindo o nome de Eunício Oliveira na chapa majoritária, estão sendo aventados. A palavra final sobre as coligações e sobre os nomes que concorrerão ao Palácio da Abolição será do ex-governador Camilo Santana.

 

Camilo tinha vaga certa na chapa majoritária da base governista. Com a reviravolta, deve pleitear a vaga no Senado pelo PT e enfrentar mais um concorrente do PDT. O nome do deputado federal Guilherme Landim (PDT) está sendo cotado para a vaga na chapa majoritária.

 

A reportagem apurou com uma liderança do PT que ainda não foi discutido se a sigla deixará o Governo de Izolda Cela. “Neste primeiro momento estamos discutindo o rompimento e a chance de seguirmos com uma candidatura. Falar sobre o governo que está em andamento ficará para outro momento”, afirmou, sem querer se identificar.

 

A vereadora Larissa Gaspar é o nome mais cotado para ser a cabeça de chapa pelo PT. Os deputados federais Luizianne Lins, José Guimarães e José Airton também colocaram seus nomes à disposição para concorrer ao Governo pela agremiação.

 

O ex-senador Eunício Oliveira (MDB) se encontrou com o ex-presidente Lula (PT) nesta segunda-feira (18), em São Paulo e afirmou em suas redes sociais que “foi um diálogo excelente”. “Tratamos dos desafios da conjuntura nacional, com especial atenção ao cenário político do nosso Ceará”, escreveu.

 

A reportagem apurou que, embora o ex-senador, esteja se movimentando junto com o PT, sua intenção é ser candidato a deputado federal, para conseguir ‘puxar’ votos e eleger mais candidatos na bancada do MDB.

 

Confira íntegra da nota:

 

DIRETÓRIO ESTADUAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES NO CEARÁ RESOLUÇÃO POLÍTICA DIÁLOGO E UNIÃO EM DEFESA DO CEARÁ E DO BRASIL

 

O compromisso do Partido dos Trabalhadores – PT com o Ceará e os cearenses, e com o Brasil, sempre norteou a nossa ação política e nossas decisões. Com base nessa premissa o PT envidou todos os seus esforços para que o projeto político-administrativo em curso no Ceará, comandado nos últimos sete anos e meio pelo ex-governador Camilo Santana e agora pela governadora Izolda Cela tivesse sua reafirmação política junto ao povo cearense com a defesa de suas conquistas e reconhecimento dos desafios para seu avanço e aprimoramento, sempre na perspectiva de melhorar cada vez mais a vida do nosso povo.

 

Arraigado nesse sentimento de responsabilidade com o nosso povo, o PT defendeu e continua defendendo uma ampla aliança para as eleições de 2022 no estado, a partir de uma candidatura ao governo capaz de unir toda a base de sustentação do governo Camilo/Izolda, reconhecendo inclusive a primazia do PDT na escolha do nome, reivindicando, apenas e tão-somente, um amplo diálogo com os partidos aliados no processo de definição da candidatura.

 

Infelizmente não foi o que se verificou. O PDT se fechou em copas. Tratou todas as tentativas de diálogo prévio à sua escolha como intromissão indevida. Ignorou inclusive as manifestações públicas de preferência de partidos aliados, lideranças, inclusive do ex-governador Camilo Santana pelo nome de sua filiada e atual governadora Izolda Cela, que, no cargo, manifestou publicamente seu interesse e sua legítima pretensão de postular sua reeleição.

 

A prerrogativa antes reconhecida a quem, no cargo, postulou a reeleição, foi solenemente negada pelo PDT à governadora Izolda, num triste espetáculo de constrangimento público da primeira mulher a chegar ao governo do Estado. A Izolda Cela nossa solidariedade e nosso reconhecimento do seu valor, da sua dignidade e de sua extraordinária contribuição ao Ceará em todas as funções públicas que brilhantemente desempenhou e desempenha. A negação do seu direito à reeleição, pelo seu partido, ficará registrada com uma triste página na história política do Ceará.

 

A exclusão de Izolda representou igualmente a negativa do diálogo na busca de consenso e o pouco apreço à aliança, aos aliados e sobretudo, o desprezo às conquistas e melhorias alcançadas na vida dos cearenses por conta do seu trabalho, junto com Camilo nos anos recentes. Prevaleceu a arrogância, o capricho e a expressão de mando que subjugou os interesses dos cearenses à obsessão de poder de um só. Esse veto materializou ainda o rompimento tácito e unilateral da aliança até então estabelecida.

 

Nesse contexto, o PT, se solidariza com a Governadora Izolda, reitera o seu compromisso com os cearenses e com a democracia e com as pré candidaturas do ex Governador Camilo Santana para o Senado, de LULA para presidente e que continuará o diálogo com os demais partidos aliados.

 

Fortaleza, 19 de julho de 2022.

*O intrigante

 

 

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