quinta-feira, 23 de junho de 2022

Prisão de ex-ministro da Educação abala governo, anima oposição e estimula CPI

 

O presidente, com o então titular do MEC: “Boto a cara no fogo” (crédito: Cleber Caetano/PR)

Aliados do presidente e pré-candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) avaliam que a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro (Educação), nesta quarta-feira (22), coroa o pior momento da campanha eleitoral do mandatário, que aparece em segundo lugar nas pesquisas, distante do líder Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Já apreensivos com a alta do preço dos combustíveis, anunciada na semana passada pela Petrobras, pessoas próximas o presidente dizem que a prisão abala ainda mais um dos pilares da campanha, que é o discurso anticorrupção, usado para fazer frente ao ex-presidente petista.

 

Quatro crimes

Ribeiro foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de ter cometido quatro crimes: corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. Quando os primeiros indícios vieram à tona, Bolsonaro chegou a dizer que colocaria a “cara no fogo” pelo então ministro. Ontem, alguns aliados chegaram a dizer que a prisão é um “verdadeiro desastre” político.

 

Um integrante do núcleo duro da campanha bolsonarista diz que “não tem vida fácil”. Este aliado de Bolsonaro, porém, rechaça a tentativa da oposição de colar a prisão do ex-ministro no presidente, indicando a estratégia a ser adotada.

 

Presos

Além de Ribeiro, foi preso Luciano de Freitas Musse, advogado ligado aos pastores e que trabalhou no MEC (Ministério da Educação) durante 11 meses. A polícia investiga um balcão de negócios na pasta.

 

A operação deteve, ainda, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que negociavam a liberação de obras. Também foi detido Helder Bartolomeu, ex-assessor da Secretaria de Planejamento Urbano da Prefeitura de Goiânia.


Abertura de CPI 

A oposição vai se aproveitar do episódio exatamente para apontar novas contradições no discurso do mandatário de que não haveria ilícitos em sua gestão. Aliados de Lula, por exemplo, reforçaram a defesa da abertura de uma CPI para investigar o MEC, mas a iniciativa enfrenta dificuldades.

 

Nenhum comentário: