segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Jovem granjense morre por complicações pós-parto durante transferência de hospital; família aponta negligência

 

A família afirma que buscará justiça para a jovem agricultora, que morreu após parto em hospital em Camocim (Foto: Arquivo pessoal)

Maria da Assunção Teles Teixeira, jovem de 25 anos, morreu dentro de um transporte médico a caminho do Hospital Regional de Sobral, depois de passar por complicações pós-parto realizado no Hospital Murilo Aguiar, no município de Camocim. Ela deu à luz a um menino na manhã do sábado, 12, e faleceu cerca de 24 horas depois, no domingo, 13. Família da cearense denuncia negligência da unidade de saúde durante o procedimento e também nos cuidados após o parto.

 

De acordo com a Maria da Saúde Teles, prima e advogada da família no caso, a jovem, a mãe e a sogra foram destratadas pela equipe do Hospital Murilo Aguiar, que inicialmente não queria receber Maria da Assunção, apesar do quadro grave de dores. "Ela ficou na recepção do hospital, que é minúscula, chegando até a ficar do lado de fora esperando, porque não queria deixar ela entrar por não estar no sistema. Ela chegou lá transferida de Granja com emergência, por isso não feita nenhuma documentação", conta.

 

Desde que foi transferida de Granja, município vizinho onde mora, Maria da Assunção já apresentava um quadro complicado, que, segundo a advogada, não foi devidamente observado pela equipe de Camocim. Após o parto normal no sábado, o hospital não deixou mais os familiares a visitarem alegando medidas de segurança contra a Covid-19. A família acabou sendo enviada para casa, onde ficou aguardando mais notícias.


Um parente, que estava com Maria da Assunção, relata o descaso e diz que se sentiu "enganada". "Não deixaram a gente olhar ela para ver se estava bem mesmo. Ficam direto dizendo que ela tava boa", comenta. A advogada e prima Maria da Saúde conta que na manhã desse domingo, 13, o quadro piorou e os familiares retornaram ao hospital. Foi quando decidiram transferir ela para Sobral, onde teria um tratamento para casos mais complexos.

 

"A sogra dela foi com ela na ambulância de transporte e relatou que a enfermeira passou a viagem inteira sendo grossa com elas. A mãe dela disse que quando a filha foi ser levada já estava com a respiração muito fraca e achava que ela já estava morrendo". Cerca de 30 minutos na estrada, na cidade de Martinópole, Maria da Assunção veio a óbito e foi levada para um hospital do município.

A família afirma que buscará justiça para a jovem agricultora. A criança se encontra bem e está na casa da avó materna. A mãe de primeira viagem foi enterrada na manhã desta segunda-feira, em Granja, ainda com seus entes queridos sem saber o que causou sua morte. "Vou primeiro tentar pegar os documentos e prontuários e amanhã vou conversar com um promotor. Pretendo fazer uma denúncia para os direitos humanos e comissão de mulheres para ficar o alerta, para que mais mães não morram dessa maneira", diz.

A direção do Hospital Deputado Murilo Aguiar divulgou a seguinte nota:

    O Hospital Deputado Murilo Aguiar utilizou todos os procedimentos necessários: recebeu a paciente às 3h28min de sábado (12), que foi encaminhada do hospital de Granja por uma enfermeira, não sendo avaliada por médicos daquela unidade, nem regulada para o hospital polo. 

    Em decorrência dessa situação a paciente teve que permanecer na recepção da maternidade aguardando autorização da central de regulação. Em seguida foi encaminhada para a sala de parto, onde foi assistida pela médica obstetra, tendo parto normal sem complicações obstétricas às 4h06min, ou seja 26min após sua chegada neste hospital. 

      A médica, após constatar que a paciente apresentava quadro clínico de icterícia, solicitou exames laboratoriais para possível elucidação diagnóstica, cujo resultados encontravam-se alterados. 

    Após tomadas providências cabíveis em decorrência da evolução do quadro clínico, a paciente foi transferida em caráter de urgência para Sobral, ocorrendo óbito no traslado. Esclarece-se que a paciente não faleceu em decorrência de complicações de trabalho de parto, mas de prováveis comorbidades que a paciente portava e que não foram diagnosticadas durante as consultas regulares do pré-natal, uma vez que consta no cartão da gestante apenas 4 consultas realizadas somente por enfermeiros. Esclarece-se, ainda, que o Hospital ficará à inteira disposição da população e de qualquer parte interessada, para demonstrar que, no caso que objetivou as inverídicas publicações, o Hospital de Camocim procedeu de forma correta.

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Com informações o POVO

 



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